Quem tem medo de cabelo curto?

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Todo mundo conhece a Rapunzel, já assistiu comédia romântica e se irritou com a mocinha da novela das sete. O que elas tem em comum?
Um cabelo longo, brilhoso, muitas vezes loiro e algum tipo de príncipe encantado. Meninas crescem ouvindo e vendo sobre cabelo comprido e príncipe encantado.

Terminamos todas uniformizadas, com os cabelos longos, chapados, sem nenhuma expressão. Nem príncipe encantado.

Seja pelo costume, por todo mundo ter o cabelo assim, por eles dizerem ser mais feminino, porque eles dizem nas revistas que assim é melhor, porque eles dizem que é mais sensual. Mas quem são eles? E mais importante, por que você os escuta?

Qual o medo do cabelo curto?
Sabe, seu rosto aparece mais, suas expressões em consequência, então tudo que você sente fica mais aparente. Mais na cara. Será que o medo não é de você mesma

“-Nunca te confundiram com um menino?” 
Não.

“-Você pega mulher, né?”
Não.

“-Mas cabelo cresce, né? Logo, logo ele fica bonito de novo.”
Não, porque eu vou cortar de novo. E tá bonito assim.

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Estamos tão cercados de estereótipos que as vezes nem percebemos que somos um.
Eu tinha os fios tão longos que chegavam à minha cintura, às vezes eles formavam cachos, às vezes eram só uma massa desforme que eu dava forma nenhuma com a escova e a chapinha. Demorou pra perceber que aquele cabelo longo e liso não era eu, não era meu, todos os processos para deixá-lo como eu achava que seria o certo só o faziam errado para mim.

Demorou pra ter coragem de chegar em um salão e simplesmente dizer ao cabeleireiro: Faça o que você quiser. (Se você tiver alguém em quem você confie, sinceramente, é libertador)

Foi exatamente o que fiz na última vez que fui ao WCrystal. O hairstylist Fernando Young me perguntou o que eu gostaria de fazer, pude sorrir e dizer que ele podia fazer o que achasse melhor. (Leia mais sobre o trabalho do Fernando clicando aqui)

Com as técnicas do visagismo, Fernando escolheu fazer finas mechas para clarear e dar mais leveza ao meu cabelo castanho escuro, bem como cortá-lo de forma que o volume ficasse no topo da minha cabeça harmonizando o corte ao meu formato de rosto. E o importante é que ele pode encontrar um corte que se unisse a minha personalidade quando nem eu mesma via isso.

Eu precisei do cabelo curto pra encontrar quem eu sou.
Foi só aí eu deixei ele secar como bem entendia, que deixei despenteado, que vi como ele realmente era.
Tenho uma relação bem pessoal com meu cabelo, como a maioria das mulheres, mas não é ele que me define e sim o contrário.

Nem sempre é fácil abandonar as madeixas, nem a ideia de príncipe encantado. Mas as vezes é exatamente isso que falta para você se conhecer.

 

Fotografia (feita pela publicitária mais fofa do mundo): Greice Meira / Fonte